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(3 born... | in sin.)

Mudanças, desafios, objectivos. [09 Dec 2010|07:51pm]
Penso que pela primeira vez, estou certo do que quero fazer a nível profissional.

Ganhei o primeiro impulso quando estava em Ramallah na Palestina a falar com a Yara, uma Palestina que estudou Economia em Londres e se especializou em Development Studies na London School of Economics, e desde então tem trabalho em inumeras ONG's.

Depois cheguei a Portugal, e logo por coincidência, fui chamado pelo Centro de Emprego passado 4 semanas a trabalhar numa IPSS, uma Associação Mutualista na Moita, outra ONG.

Isto depois de ter trabalhado 2 anos na Federação de Cicloturismo, outra ONG de Interesse Público, também completamente por acaso e onde deixei amizades e à qual ainda pertenço como associado e aos Orgãos Sociais.

Sempre tive um bichinho por Mercados Financeiros, e talvez por coincidência não tenha seguido para Mestrado ou como trabalho, apenas por acaso dos ultimos anos. No entanto a ideia de trabalhar num banco, embora me seduzisse um pouco, por outro lado ia um pouco contra algumas filosofias pessoais.

Então penso que cheguei à conclusão que não estou muito interessado naquilo que nos ultimos 6 anos pensei seguir, e vou-me dedicar à gestão de ONG's. Profissionalmente agrada-me, e pessoalmente satisfaz-me bastante, além de ser um mercado ainda pouco explorado ao nível da Gestão e à facilidade de saltar de ONG em ONG, especialmente a nível geográfico, seja em Portugal ou no Ghana, ou no Brasil ou na Síria, e pelo que constitui um desafio pessoal nas mais diversas formas, a nível cultural, de objectivos, etc.

Tinha apenas uma preocupação. A oferta e a remuneração neste tipo de actividades. Mas vários profissionais na área asseguraram-me que existe muita procura por pessoas qualificadas e em paises "desenvolvidos" as remunerações não estão muito abaixo da média do sector privado lucrativo. :-)

Então ficam aqui os objectivos(mais revelantes) pra 2011 já que a Passagem de Ano está próxima.

1) Terminar o curso de Fotografia do MEF, está a meio, e tenho progedido imenso!.

2) Tirar uns cursos de Espanhol, de forma a desenvolver uma 3ª lingua.

3) Continuar e terminar o projecto de voluntariado GASTagus. Explicando, de Dezembro 2010 a Julho 2011 irei participar em inumeras actividades, em equipa, de formação, de angariação de fundos, etc. E em Agosto, todos os voluntários que foram a todas as reuniões e fins de semana chave, irão partir para Cabo Verde, Angola, S. Tomé e Princepe, Brasil ou Timor Leste durante 1 mês, para determinados projectos de acção social, ao qual na altura ja teremos formação para tal. Ensinar Matemática, Inglês, Português, entre outros, de acordo também com o perfil de cada um :-) Até agora com a angariação de fundos, foi sempre possível cobrir todas as despesas de viagem para os voluntários. Há coisas fantásticas, não há? Especialmente quando partem de ONG's coordenadas por Estudantes.

4) Descobrir e inscrever-me num Mestrado na área de "Economia de Devenvolvimento" em qualquer país, excepto Portugal para começar em Setembro :-) Tenho que preencher a falha de nunca ter feito Erasmus, e é algo que quero mesmo muiiiito.

5) Se ainda tiver tempo, e conseguir conciliar, espero tirar o curso de Fotojornalismo no CENJOR, que começa em Janeiro e é uma referência na área :-)

6) The last but not the least, dedicar tempo à familia e amigos :-)

txaram! wish me luck :-)

(in sin.)

[16 Oct 2010|03:50am]
Se me dissessem há uns anos que iria estar quase cerca de 9 meses a viajar ininterruptamente(excepto Natal e Páscoa) nunca me passaria sequer pela cabeça. Mas aconteceu, e ainda não consigo perceber bem como cheguei a este ponto. Só sei que se tornou um vicio imenso e uma experiência de vida completamente inesquecivel e incomparável.

É verdade que fui educado a viajar desde pequenino com os meus pais, todos os Domingos iamos a algum lado, nas férias faziamos road trips de um mês pela Europa nas férias de Verão e bastantes trips a Espanha, muitas vezes a acampar. Depois com os Escuteiros também, e mais recentemente com amigos.

Mas o verdadeiro gosto por "Viajar" veio no Egipto, viagem em que embarquei quase ao calhas, sem saber se iria gostar ou não. Apenas porque o plano era ir ter com um filme de Verão (:p) à California assim que terminei o meu estágio/trabalho na Federação mas as coisas acabaram por não resultar. Então decidi ir na mesma para 'um sitio qualquer', que podia tanto ter sido inúmeros destinos mas calhou a ser o Egipto.

No entanto fui com um grupo de tugas que viajam bastante e a viagem já estava em grande parte programada. Amei a viagem de qualquer das formas, e tive sempre algum tempo livre para ter algum contacto com locals que é o que me dá imenso gosto, falar com pessoas.

No entanto esta viagem não foi exactamente ao meu gosto, necessitava do meu tempo, da minha independência e de fazer os meus próprios planos para ter saboreado da maneira que eu teria gostado MESMO.

Fui influenciado recentemente por pessoas que conheci nestes ultimos anos a viajar pelo Mundo e comecei a ler livros de viagens, desde uns de bicicleta pelo Mundo aos do Cadilhe, até que consegui por os medos para trás e partir eu sozinho.

Marrocos foi uma viagem inesquecivel e especial, vai ser sempre um prazer regressar lá, mais que não seja para rever os mesmos sitios e reencontrar as mesmas pessoas e foi a minha estreia a viajar de forma completamente independente. Onde me aprendi a desenrascar à grande e a detestar para todo o sempre as agências de viagens e todas as formas de viajar em grupo/programadas! :-)

Os 2 meses em Marrocos foram no entanto curtos, queria ter uma experiência maior, e ver mais paises também. O entusiasmo comecou pelo Guia da Lonely Planet que tinha adquirido para o Egipto, quer dizer, não havia um especificio disponivel para o "Egipto" mas um para o "Médio Oriente". Então, enquanto viajava pelo Egipto ia dando vistas de olhos nos outros paises que o compõem e aí comecei a ganhar um entusiasmo enorme, por conhecer o Berço da Civilização e algo mais da cultura Árabe.

Comecei a pensar numa rota, mas queria incluir Israel e a Palestina, no entanto derivado aos problemas politicos com os paises em seu redor, depois de um carimbo de Israel no passaporte é impossivel entrar na Síria ou no Libano, pelo que teria que o deixar para o fim. Olhei novamente para o mapa, vi a Turquia, também me entusiasmava bastante especialmente por Istanbul, a antiga capital do Império Otomano e romano no Oriente, de resto não sabia absolutamente nada sobre a mesma, mas suscitava uma enorme curiosidade.

Então, simples pensei eu! Vou da Turquia, pela Síria, Libano, Jordânia até chegar a Israel e à Palestina. Pouco também sabia sobre estes paises, mas também suscitavam uma enorme curiosidade, num caso muito particular a Síria. Comprei passado duas semanas de regressar de Marrocos pela Ibéria dois voos até Istambul. Por causa do vulcão preferi manter-me mais por sul ao invés de ir a Londres. Escolha acertada, os voos para Londres comecavam a ser cancelados uns dias antes e eu sem precalços ao tomar esta decisão(lucky! ;p).

Chego a Istambul a 10 de Maio. A ideia era regressar a Portugal no fim de Julho, completando 3 meses, seguramente iria ser suficiente! Cheguei a 12 de Outubro e ainda inclui o norte do Iraque. Queria incluir o Irão mas necessitava de mais tempo e necessitava do visto em advance.

Foi a viagem da minha vida. Fiz amigos dos quatro pontos do mundo, tive companheiros de viagem por vezes durante um mês, noutros casos semanas, dias ou horas. Pessoas que se volto a encontrar será como encontrar um velho amigo dados os laços fortissimos que se criam a viajar e a partilhar experiências inesqueciveis, bem longe de casa.

Andei à boleia mais de 150 vezes, que me transportaram por milhares de quilometros com todo o tipo de gente que possam imaginar e com casos completamente insólitos..como acabarem por me pagar um jantar e levaram-me ao hostel ou convidarem-me a dormir lá em casa, ou como no Iraque após ficar sem dinheiro pela inexistencia de ATM's no país, pagarem o almoço e como não nos podiam levar até à fronteira, levaram atè à 'garage' e pagaram.nos 50 euros de taxi.

E como esperava e a principal razão para esta viagem : A hospitalidade como nunca vi antes, a simpatia ou um sorriso sem esperar nada em troca, um convite para tomar um chá, para oferecer fruta, almoço, jantar ou lanche, com um convite após 15minutos de conversa para descansar lá em casa, para a conversa, para passar a noite, ou várias noites! Para conhecer o filho ou a familia..para ver um jogo do mundial ou pela simples curiosidade de hospedar um Estrangeiro, e sempre com um verdadeiro e inesquecível "Allah wa Salam" (Benvindo!) pronto para oferecer a qualquer momento, sem segundas intenções. De Turcos, Curdos, Arménios, Berberes, Bedouinos, Árabes, Judeus, Cristãos, Yazidis, Baha'i's..etc, etc, etc.

E por fim, sem a mesma importancia, mas também inesquecivel, os lugares que vi. Impossível de não dizer que fiquei com o bichinho e já a fazer planos de próximas. Com tempo a ver se organizo algumas fotos (cerca de 20000 ;p).

Beijinhos e Abraços!

Turquia, Cappadocia, à boleia para o Vale de Ihlara. Foto da Vanessa, Canadiana e travel companion por um mês em todo o Sul da Turquia e Norte/Este do Iraque.

(3 born... | in sin.)

Damascus for tomorow. [30 Jul 2010|01:10am]
Nao consigo deixar de estar super ansioso por chegar a Damasco. Era sem duvida a highlight da trip e um momento que esperava ha bastante tempo. Vou esperar calmamente em Damasco que o visto expire para entrar no Libano.

Entretanto la passei os anos nas ruinas de Palmyra a curtir a vista da Citadela com um traveller companion Frances. Fica a jantarada la em casa pra quando chegar!

‘…no recorded event has occurred in the world but Damascus was in existence to receive news of it. Go back as far as you will into the vague past, there was always a Damascus… She has looked upon the dry bones of a thousand empires and will see the tombs of a thousand more before she dies..To Damascus, years are only moments, decades are only flitting trifles of time. She measures time, not by the days and and months and years, but for the empires she has seen rise, and prosper and crumble to ruin. Shes a time of immortality.

Mark Twain, The Innocents Abroad, 1869

bjis e abracos!

(1 born... | in sin.)

Iraque [26 Jun 2010|01:06pm]
Quem diria que um dia andaria de mochila pelo Iraque e iria sentir talvez a mais calorosa recepcao e hospitalidade?

Tal como o meu guia dizia #Ir ao Iraque e possivel e seguro, mas nao diga nada ha sua familia!#

Entretanto ando a viajar com uma canadiana que conheci ha 2 semanas na Turquia e consegui convencer a acompanharme, sozinho nao sei se viria, embora houvesse algo que me andava a puxar imenso, especialmente porque estava a uns meros 150kms da fronteira e o visto eh gratuito.

Beijinhos e abracos!

(16 born... | in sin.)

Al-Magrib 18 Fev. a 8 Abril [22 Apr 2010|10:48pm]
Como se lia no meu ultimo tópico..

" a ideia é ficar cerca de um mês, girar parte do país[Marrocos], acabar num festival de musica a meio de Março, mas depende da piada que achar ao país e se me fartar volto antes do planeado."

Não fiquei um mês, fiquei quase dois, e só regressei porque tinha dois eventos para organizar de BTT e tinha que respeitar as responsabilidades assumidas.

Ainda me lembro de estar na dúvida entre o ir e não ir, especialmente quando o Pedro recebeu uma oferta de trabalho que acabou por aceitar o que significava que eu teria de ir sozinho. Entretanto comecei a receber propostas de emprego e tive que tomar outra decisão dificil. Mas tomei, e juro que por melhor que fossem as oportunidades, esta experiência foi priceless, por isso "Fuck it!".

Fiquei super contente comigo por ter conseguido tomar esta decisão. Mais contente ainda quando regressei a Portugal e reflecti com calma sobre tudo o que se tinha passado. Compreendi ainda melhor, quando muita gente diz que muitas vezes a mais dificil decisão é o primeiro passo. E que esse primeiro passo pode de facto implicar acontecer algo de muito bom, ou não acontecer absolutamente nada.

Lembrei-me quando me disseram algumas vezes: "ao longo da tua vida vais-te arrepender mais das coisas que não fizeste, daquelas que fizeste" e que agora me faz todo o sentido.

Fiz dezenas de amizades nestes dois meses, conheci e absorvi uma cultura completamente diferente, mas que ao mesmo tempo, no fundo cheguei à conclusão que não passam de pessoas como nós, com as mesmas preocupações, com os mesmos desafios, com os mesmos sentimentos, os mesmos gostos. Que os fundamentalistas são uma percentagem muito muito pequena, e que dentro deles os radicais ainda são menos. (PS: Até que nem conheci ninguém que tenha mostrado qualquer hostilidade..o que não me surpreendeu, no entanto.)

Em termos pessoais foi uma experiência absolutamente enriquecedora. Testou-me em inumeras situações e fiquei super contente com as minhas reacções. Foi a primeira Backpack a solo e adorei! Tudo o que tinha discutido centenas de vezes com viajantes com altos CV's, aconteceu.

Nunca pensei, especialmente em Marrocos andar à boleia. Já o tinha feito em PT por vezes, até na passagem de ano, de Albufeira para Armação, ou de Viana do Castelo para Braga em 2008, ou em pequenas ocasiões. Em Marrocos tinha falado com imensa gente que o tinha feito, mas também com bastante gente renitente e outros que não o fariam de certeza, por razões de segurança, etc etc etc.

Fiz quando teve que ser, correu super bem, adorei a experiência, repeti, repeti e repeti e viciei-me, e já o fazia só pelo gozo, e não apenas por poupar trocos ou porque tinha que esperar 'x' horas por um transporte. Fiz entre 15 a 20 boleias por todo o país, desde motas a carros, a jipes, a 4x4, carrinhas de caixa fechada, caixa aberta, no topo de camiões de terra, de pedra, de cimento, muitas vezes sozinho, outras vezes acompanhado, por alemãs, por italianos, por marroquinos..mais de 500kms.

Corri o pais de Norte a Sul, de Este a Oeste, de Marrakesh a Erg Chebbi(Merzouga), de Tetouan a Erg chigaga(M'hamid), penso ter feito entre 2 a 3000kms pelo menos, mas nas calmas, senti-me sobretudo realizado porque adaptei-me à realidade daquele país, ao ritmo do dia-a-dia, deixei-me contagiar - "machi mouchkil" que em darija seria "no problem". Quando quis ficar mais um dia porque estava a gostar ficava, quando queria ir, ía - apesar de que muitas vezes tenha sido a muito custo - especialmente quando criei laços fortes com outras pessoas, mas ao mesmo tempo queremos seguir viagem, e isso aconteceu-me muito frequentemente.

Com o Zou, o Zaid e o Houssam com quem fiquei mais de 7 noites em suas casas em Marrakesh como se estivesse na minha, com o Houcine no Vale de Bougoumez onde fiz alguns dos trekkings mais impressionantes num vale a 3000m, em Zagora com o Kassou e o Sharaf por duas alturas diferentes, a segunda em M'hamid aquando do "Festival des Nomads", com duas das raparigas mais divertidas que já conheci e que viajaram comigo durante 5 dias, a Stephi e a Anna, com o Ahmad e a sua familia super querida em Kella M'Gouna que nos acolheram por dois dias, com o Binhadi (que embora não o saiba abriu-me os olhos para uma série de coisas e deu-me contactos de famlias com quem ficar nos dias seguintes) e o Yedir, o primeiro muçulmano gay que conheci em Boumaine Dades e que me diverti para caraças com o seu sotaque americano perfeito, com um dos gajos mais divertidos durante toda a estadia, o Rachid! com quem fiquei em Tighassaline 3 dias e que reencontrei em Fez passado uma semana, ou com o Nabil o Adil e o Afouan em Méknes, entre muitos, muitos outros que fizeram com que a minha viagem em Marrocos fosse inesquécivel e uma das melhores lições de vida que já tive.

Conheci a verdadeira hospitalidade Marroquina que tanto ouvi falar, e não foi nos Riad's, nem nos Hoteis. Foi a caminhar pelas ruas, quando a pedir indicações, me convidavam para as suas casas, para beber um chá de menta, uma refeição e/ou a convidarem-me a pernoitar. A comer a mesma comida que eles, desde deliciosos Tajine's a inesqueciveis Couscous, desde Arábes a Berberes, Touareg's ou Nomadas.

E quanto mais viajo mais noto que as pessoas são iguais em todo o lado.

Because happiness is only real when sharedCollapse )

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